15/08/12

Decrescimento


Já pouca diferença se encontra nas mudanças governativas. Na última, embora a "oxigenação" fosse necessária, foi com a mesma desconfiança que “os” vi assumir funções. Mais do mesmo, pensava. Mais crise menos crise mas tudo como dantes.
Mas parece que há algo de novo no panorama do status quo nacional.  Será que alguém percebeu  que não é possível continuar como quase todos querem na assembleia da república e fora dela? E estar disposto a perder eleições em nome da verdade, do realismo, e pelo país, é uma visão (só conversa?) diferente da habitual, de que lixar é o que menos importa, excepto para a espuma dos dias e do consumismo comunicacional ?
Decrescimento é uma palavra que não só é utópica mas também tabu, entre nós. Era a isto que se referia PP Coelho quando falava de “empobrecimento” ? É preciso explicar.
Mas o caminho não é certamente como continua a reivindicar a chamada esquerda: É preciso é crescer. Mas, em primeiro lugar, não diz como e, em segundo lugar, para quê ? Podemos antecipar com uma pergunta o que costuma acontecer: para consumir mais e gastar mais?
A oposição têm dois slogans “crescer” e ”mais tempo”. Que intelligentzia
O primeiro está completamente fora da realidade ecológica, económica, social, política e o segundo é a procrastinação do costume: alguém há-de pagar.
João César das Neves falou da questão com Medina Carreira em “Olhos nos olhos”. Todos querem crescer: a Alemanha, a Espanha, a França, a Grécia, a Itália … mas como? (Sobre)produzindo mais o quê? E à custa de quê ?
E, se isto da economia global funciona como um sistema, para um ter superavit, alguém tem que ter défice.
Além disso, sabemos que o crescimento não é ilimitado ("the finite pie").
Serge Latouche propõe  “uma sociedade do decrescimento e descreve como se deveria realizar essa transição nas sociedades consumistas, evitando, deste modo, uma catástrofe ecológica e humana, pois os recursos do planeta não são inesgotáveis. Para Serge Latouche, o decrescimento é uma 'utopia concreta': não podemos continuar a perseguir infinitamente o crescimento, a economia e o progresso económico, quando o nosso planeta se encontra em declínio – é preciso um modelo alternativo, uma filosofia e um modo de vida gradual e serenamente decrescente.”
Daniel Bessa, no Expresso/Economia, de 11-8-2012, "Um resultado fantástico", diz que  "este excesso de absorção interno provocou um endividamento externo muito elevado (os 2 milhões de euros por hora, em cada uma das 24 horas dos 365 dias do ano... ) que, por insustentável, é uma das razões que explica o período de dificuldades por que estamos a passar".
Não sei o que se passou em Quarteira, mas parece que esta é a questão do crescimento.

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